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Prédica: Isaías 1.1-9
Autor: Walter Hoppe
Data Litúrgica: Ano Novo
Data da Pregação: 01/01/1988
Proclamar Libertação – Volume XIII


l – Olhando o texto

O texto de Isaías surgiu numa época de muito conflito, provavelmente, a partir de meados do século VIII a. C. até os começos do século VII a. C. Estes conflitos foram gerados pelo início de campanhas por parte da Assíria para a conquista da Síria e da Palestina. A guerra Siro-efraimita tenta, através da deposição da dinastia davidida, formar uma aliança anti-assíria. Para seu auxilio Judá recorre à Assíria, o que leva à derrota dos agressores siro-efraimitas. Com isso se inicia o pagamento de tributos e a sujeição de Judá à Assíria, bem como a entrada do culto oficial assírio em Jerusalém. Esta aliança Judá-Assíria é rompida e novamente firmada por diversas vezes, sendo que no fim Judá perde parte de seu território, restando apenas Jerusalém.

É neste contexto de final, da catástrofe de Jerusalém, que provavelmente se situa o texto de Isaías 1.2-9 (von Rad). O rei Ezequias (701 a. C.), ao contrário do que Isaías pedia, entrega-se, após um breve cerco, ao rei da Assíria, mediante o pagamento de tributo e perda de parte do território.

O início do texto (v. 1) é um título tradicional que dá início a obras literárias. É pois, provavelmente, um acréscimo posterior que tenta introduzir ao todo da obra de Isaías. Não é, no entanto, um título normal de um livro profético como o temos em Os 1.1.

Nosso texto se situa na primeira parte do livro de Isaías (Is 1.12). Esta parte inicia com um capítulo que é uma antologia e termina com uma conclusão em forma de salmo. O capítulo 1, como antologia, agrupa textos de diferentes épocas. Faz o prólogo de todo o livro (vv. 2-3; vv. 4-9; vv. 10-17; vv. 18-20; w. 21-26). Cronologicamente a perícope dos vv. 4-9, provavelmente, pertence às últimas palavras do profeta. Nestes termos pode-se sentir bem o quanto a realidade dos acontecimentos se reflete na pregação de Isaías.

Existe uma ligação entre os textos vv. 2-9 e vv. 10-17. Esta ligação se dá pela menção de Sodoma e Gomorra (vv. 9-10). O texto em questão (vv. 2-9), precede a uma crítica do culto. Conforme o v. 11 esta crítica se dirige contra a incoerência existente entre o culto e a vida em Judá. Uma conclusão tradicional de perícope temos apenas no v. 20: a boca do Senhor disse.

Muitos trazem os vv. 2-9 como uma unidade, mas depara-se em uma mudança de tom e de certa forma de conteúdo. Trata-se de dois oráculos: vv. 2-3 e vv. 4-9. Os vv. 2-3 esclarecem a quem o oráculo se dirige e por que é dito. Os vv. 4-9 explicam e aprofundam o oráculo anterior. Não existe por que separá-los.

O v. 9 faz uma aparente conclusão, refletindo sobre a situação em que o país, por ora, se encontra. Esta conclusão é uma oração de agradecimento a Deus, bem como uma lamentação acerca do ocorrido com Judá.

Quanto à tradução do texto, não existem maiores problemas, pode-se bem usar a tradução de Almeida.

II – Falando em mensagem

O texto inicia dizendo: o que segue no livro é uma visão. Visão indica algo que o profeta vê e está oculto ao povo (6.1,5,9-10). O povo vê e ouve através do profeta v. 5. Os vv. 2-9 são um discurso de invectivas bastante violentas. Mesmo que lançadas com bastante cólera, estas invectivas, não são seguidas de uma palavra de ameaça. O profeta, após uma descrição do povo desfigurado pelos castigos, também é atingido pelo abandono (v. 6). Desperta-lhe a compaixão. O texto termina (v. 9) com uma lamentação que resulta da devastação do país pelos assírios, no meio do qual restou Jerusalém.

No v. 2 inicia-se um oráculo de exortação e fidelidade indicado pelo imperativo ouvi. Toda a criação é chamada para testemunhar, pois o criador se le¬vanta como juiz. O pai que criou filhos em amor foi esquecido e desprezado (v. 2). Deus se queixa de que o seu povo recusa obedecer (Dt 21.18ss). Ele se sente ferido em seu amor, não por um pecado qualquer, mas porque seus filhos levam uma vida irresponsável e desligada dele (v. 11ss). Nos vv. 2-3 o povo se enrijeceu em atitude de transgressão, excluindo-se da possibilidade de uma alternativa diferente que não seja destruição e castigo (Fohrer). O governo tem a obrigação de saber a vontade de Deus.

Como testemunha de Deus, Isaías sabe até aonde Deus é Pai. As palavras duras do v. 4 se dirigem contra um povo que nem sequer tem consciência de haver abandonado Deus (v. 11 ss). Um povo que necessita que alguém que tenha visão venha (o profeta) e o denuncie. Um povo que necessita que lhe venha o profeta (pastor) e lhe diga palavras duras. Apesar do castigo o povo continua rebelde. Este Deus, o santo de Israel (v. 4; 5.19, 24; 10.17), que está sobre todos os povos, elegeu Israel como seu povo. Por Israel ter-se desviado da salvação, a perdição se põe sobre todo o povo. Tudo anda mal. Esta realidade de tragédia é fruto desta vida longe de Deus (v. 6). Deus não promete felicidade a um povo corrompido. As invasões, os saques, as feridas não curadas e a destruição são sinal de que o povo já não caminha em fidelidade ao seu Senhor. Somente os morado rés de Jerusalém (SI 9.19) foram, por graça de Deus, guardados como um resto.

Ill – Pensando na prédica

Creio que na prédica não se deva cair na tentação de recontar o que aconteceu na Palestina na época de Isaías; não é para isso que a comunidade vem ao culto. O texto tem uma riqueza teológica e poética que permite lê-lo e senti-lo no presente. Pergunto: Onde vivemos uma realidade semelhante em nossas vidas como pessoas e comunidades? Nós também vivemos desviados de Deus… ou somos fiéis em sua missão no mundo?

1) O texto fala a nós cristãos e nos denuncia (v. 2). Deus nos criou e engrandeceu em Cristo Jesus no batismo, e também nós nos afastamos dele. Ao contrário do boi e do burro que têm natureza de fidelidade (v. 3), nós vivemos em constante infidelidade. Como filhos escolhidos de Deus nos voltamos a nós mesmos (v. 4), abandonamos o mundo (v. 7), não nos interessamos pelo que está acontecendo na vida das outras pessoas, não estamos vivendo e nem' levando a mensagem que é Cristo, mensagem que não só temos, mas somos – corpo de Cristo.

Deus: o pai que reconhece que seus filhos, apesar de ter feito tudo por eles, se desviaram dele. O Senhor é quem fala, nos aponta um Deus que fala, que se comunica, que dialoga – Cristo. Apesar das palavras cortantes, a humanidade de Deus é palpável no todo do texto.

Também a figura comparativa do boi e do burro é rica. Deus coloca seu povo (nós) abaixo destes animais domésticos. Estes animais são mais fiéis do que os escolhidos de Deus. Pela tradição a figura do boi e do burro nos reporta ao natal, à manjedoura. Como pretendemos viver este ano; em fidelidade à manjedoura – Cristo Jesus – ou a nós mesmos? O texto é um chamado para iniciar algo novo, neste sentido ele é graça. É um chamado para uma vida em fidelidade a Deus.

IV – Auxílios litúrgicos

1. Confissão: Querido Deus, mais um ano se passou e tu em tua graça nos permites mais uma vez vislumbrar o novo. Dá, Senhor, que neste novo ano vivamos como pessoas novas, voltadas a ti. Tem piedade de nós e sempre de novo enche nossos corações de fidelidade, de coisas novas. Faze-nos novos. Não somos nada, não temos nada e não conseguimos nada sem ti.- Vem Senhor e tem piedade do teu povo…

2. Oração de coleta: Ó Deus tu nos chamaste como teus no batismo e nós vivemos uma vida desviada. Hoje nos reunimos em teu nome para iniciar mais um novo ano. Abre nossos corações para receber tua palavra que é renovada. Que possamos viver este novo ano renovados. Amém.

3. Na oração final deveria ser retomado em síntese o conteúdo da prédica. Talvez seja bom colocar desafios para o novo ano, bem como as ansiedades. Pedir por força na missão da Igreja-comunidade. Pedir por fidelidade a Deus.

4. Hinos: HPD 265, 35, 214.

V – Bibliografia

– ASSURMENDI, J. M. Isaías 1-39. In: Cadernos Bíblicos. São Paulo, 1980.

– FOHRER, G. Estruturas teológicas fundamentais do Antigo Testamento. São Paulo, 1982.

– ______. et SELLIN, E. Introdução ao Antigo Testamento. São Paulo, 1978. v. 2.

– LA NUEVA Bíblia latino americana. Madrid/São Paulo, 1981.

– NOTH, M. Geschichte Israels. Göttingen, 1981.
– RAD, G. v. Teologia do Antigo Testamento. São Paulo, 1974. v. 2.
– SLOAN, W. W. Panorama do Antigo Testamento. Porto Alegre, s. d.
– PREUSS, H. D. et BERGER, K. Bibelkunde des Alten und Neuen Testaments. Heidelberg, 1980.