O Segundo dia do Fórum de Missão da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB) iniciou com a oração da manhã, conduzida pela Pastora Ma. Ana Isa dos Reis Costella. A parábola do fermento serviu como impulso para a meditação, na qual cada pessoa recebeu, além do alimento da palavra de Deus, um gostoso pão. Na sequência, houve momento de estudo bíblico e palestra. Acompanhe um breve resumo dos conteúdos da manhã deste dia 11/04.
Parábolas do crescimento
No estudo bíblico, o Pastor Dr. Paulo Afonso Butzke, Coordenador do Núcleo de Produção e Assessoria da IECLB, abordou as assim chamadas parábolas de crescimento: Marcos 4.3-9; 26-29; 30-32 e Mateus 13.24-30.
Em aramaico, a língua que Jesus falava, o termo “parábola” tinha o sentido de “palavra enigmática”. Parábola é uma comparação que contém um enigma, um mistério, um elemento surpresa. As parábolas de Jesus apontam para transformação de vida, oportunizam o aprendizado e convivência.
Na parábola de Mc 4.3-9, Jesus diz “Escutem… Quem tem ouvidos para ouvir, ouça!” E Butzke provoca: Seria descuido desperdiçar sementes em solos improdutivos? Em sua opinião, “a atitude do semeador só é plausível e razoável se ele não sabe de antemão qual solo é fértil. Nesta perspectiva não há desperdício – mas uma semeadura generosa na esperança de que cada solo seja fértil”.
No texto de Mc 4.26-29, o semeador é absorvido pelo ritmo da vida. “Se perturbamos o ritmo do tempo sucumbimos enquanto ser humano e sociedade”, disse o palestrante. Saber que a semente cresce sem podermos influenciar, traz alívio. No entanto, a tranquilidade não pode se transformar em inércia. A confiança em Deus leva a um cultivo responsável.
A respeito da parábola do Joio e trigo (Mt 13.24-30), Paulo destacou que, pelo senso comum, o normal seria arrancar o joio. Ele, porém, questiona: “Aqueles que julgam e condenam outras pessoas não são exatamente o trigo”?
A semeadura divina é generosa. Sementes podem crescer em segredo e nos surpreender. Nossa função é semear, mesmo onde não parece terra boa. Butzke encerrou sua reflexão enfatizando: “Se a gente focar no solo e no prejuízo, corremos o risco de nos tornar legalistas. É libertador semear com generosidade!”
Cenário Sociorreligioso e Cultural Brasileiro na Atualidade
A Profa. Dra. Cleusa Maria Andreatta, que atua no Instituto Humanitas Unisinos – IHU, abordou questões relacionadas à dinâmica de mudanças culturais e apresentou dados estatísticos do ambiente sociorreligioso brasileiro e internacional.
Estatísticas apontam para uma “crise religiosa”, que se manifesta no abandono da religião, esvaziamento das igrejas, redução e ou ausência das juventudes, apatia religiosa. O fenômeno é perceptível em diferentes continentes:
– Na Europa, especialmente nos países industrializados, 24 % da população não pertence a alguma religião e 43 % das pessoas que pertencem a uma religião não são praticantes.
– Na América do Norte, 1 em cada 5 pessoas está no grupo denominado “sem religião”. Entre pessoas com menos de 30 anos, o percentual sobe para 1 em cada 3.
– No Brasil, há também um gradativo crescimento do grupo de pessoas “sem religião”. O censo de 2010 indicava que 8% se declaravam desta forma. Pesquisas eleitorais realizadas pelo Instituto Datafolha em 2022, por outro lado, indicaram que 14% já se declaravam sem religião.
Cleusa Andreatta destacou que dados estatísticos necessitam de interpretação e que números precisam ser vistos com cautela. Em todo caso, é notório que o movimento de pessoas sem religião aumenta. Há mudanças nas expectativas quanto à relação entre fé e religião e uma crise da transmissão da fé. Da mesma forma, as concepções a respeito de Deus estão mudando e é necessário encontrar novas formas de falar de Deus.
Encontrar novas formas de falar de Deus não diz respeito apenas aos termos utilizados, mas implica perguntar: como a nossa linguagem se conecta com a experiência das pessoas e como faz sentido para elas?
O evangelho é um patrimônio que recebemos, mas que não nos pertence. Para a Profa. Andreatta, a essência do evangelho é o crucificado e ressuscitado. Qualquer mudança ou reforma na igreja precisa observar esta premissa. Novas formas de falar de Deus e de experimentar a igreja terão sentido à medida que que estiverem voltadas à originalidade do evangelho e à vivência da misericórdia.
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